Paris, dia 6: Gramu eu tenho, só me falta é o dinheiro!

Sabadão de sol: depois de muita perna batida, a gente queria um dia pra flanar e curtir. Nos arrumamos um pouquinho melhor para dar folga aos pisantes turísticos e recuperarmos um pouco da dignidade perdida em meio a tanta luta, porque afinal nós somos uns turistas bem guerreiros. Nosso destino foi o Marais, com suas ruas cheias de lojinhas fashion, gente descolada, bares e restaurantes animados. Almoçamos no Le Potager du Marais, um vegetariano charmoso com umas receitas deliciosas, onde fomos recepcionados por Jesus, o dono magrelo que fez um festa quando viu que eu tinha achado uma joaninha na mochila de Camis: “La coccinelle, la coccinele! You are very lucky!”, dizia ele batendo palma, numa alegria que só quem não come carne exibe. Seguimos pela rue Rambuteau e chegamos à Pain de Sucré para a sobremesa, e aquilo é um dos lugares que eu quero visitar sempre que estiver em Paris, porque haja tentação! Um doce mais lindo que o outro, e a tortinha de limão e o bolinho de framboesa em forma de coração que eu comi estavam sensacionais!
Aí passamos numa loja da Muji, Camilinha quase surtou, depois passamos na Fragonard e ela surtou de vez, e eu comecei a sentir uma coisa, um fenômeno sobrenatural, uma comichão louca no bolso… Escolhi uma eau de toilette para o dia-a-dia, só uma bobagenzinha, mas o kraken foi libertado de suas amarras: depois de mais algumas lojinhas cheias de must-haves, avistei a L’Artisan Parfumeur, que tinha uma vendedora morta de simpática, que adorava o Brasil e me mostrou um perfume maravilhoso, diferente, exclusivo, whiskas sachet, que fez meu cartão de crédito enegrecer em segundos, e de repente lá estava eu com uma sacolinha toda estilosa na mão e rico, rico, rico na minha cabeça. Aí vieram as camisas, a mala nova, os doces na Maison Georges Larnicol (voltei atrás de mais koignettes)… Ah, no meio dessa farra teve uma pausa na Place des Voges para mais um pique-nique ao sol e o Chico Buarque esnobando os gritos apaixonados da Camilinha, e no fim da tarde paramos para uns bons drinks num barzinho na rue Vieille du Temple, que bombava àquela hora. Como a noite custa a cair, a gente perde a noção do tempo, e mal percebemos que nossos estômagos já clamavam por janta. Pesquisamos nosso inseparável Lonely Planet (um guia muito completo, super recomendo) e escolhemos o Khatag, um restaurante tibetano na Quincampoix, pertinho do Georges Pompidou. Como não sabíamos direito o que havíamos pedido, trocamos as entradas, temperamos tudo ao nosso jeito e até agora não sei se o meu acompanhamento era pra comer ou pra passar na testa, mas foi tudo joia, principalmente pelo atendimento muito gentil e pelo preço justíssimo (15 orrôs por bebida, entrada e prato).

Thèn Thoug, especialidade tibetana do Khatag

Thèn Thoug, especialidade tibetana do Khatag

Voltamos ao hotel, ainda pensando em sair pra balada, mas, depois de meia hora estirados nas camas com os pés pra cima, nos demos conta de que não tínhamos condição – Camis, na verdade, até que ainda tava pilhada, mas eu mesmo pifei. Antes de capotar, checamos no mapa e nos assustamos com o quanto já cobrimos de Paris! E assim acabou mais um dia na apaixonante cidade-luz.

(texto de 02/06/2012)

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