Paris, dia 9: Le Grand Finale!

Paris amanheceu nublada, triste com a despedida que se aproximava. Eu e Camilinha não tínhamos mais pressa, não queríamos bater ponto em novos pontos turísticos: a ideia era só curtir a cidade, voltar a alguns lugares de que gostamos, consolidar o que queremos guardar na lembrança. Andamos pela rue de Rivoli até o Marais, passando pelo Hotel de Ville, pelas banquinhas de ambulantes na calçada da BHV, pela Pain de Sucré. Peguei os óculos novos, que ficaram um espetáculo, e me permiti um galanteio maroto…

Camila et moi, les français

Camila et moi, les français

Chegamos ao Benoît, reservado na noite anterior, para um menu frugal: gougéres quentinhos e coelho desfiado para abrir o apetite, uma tarte de sardinha com salada de entrada, bavette acompanhada de uma massa seca no molho reduzido da própria carne e, de sobremesa, um savarin ao armagnac. O restaurante é lindo, a comida estava especial, a sommelier, uma fofa… Foi ótimo, afinal – a dica da Marida valeu demais!

Almoço frugal no Benoît

Almoço frugal no Benoît

Entupidos igual à Miss Piauí, voltamos a uma ótica pra Camis comprar seus óculos de sol de bacana. Passamos de novo pelo Beauborg, fizemos um pit stop no hotel e rumamos à Champs-Élysées, pois ela ainda queria procurar uns negocinhos na Sephora. E lá estava eu, fazendo hora no meio da loja enquanto ela se fartava, quando de repente uma mão de alvura ímpar, branca como a igualdade, delicadamente me cobriu os olhos para que eu lhe tentasse adivinhar. Que surpresa mais deliciosa quando me virei e vi ali, alta, linda e loira, minha própria Dra. Raquel, que desfrutava o derradeiro dia de uma temporada em comemoração aos seus 10 anos de amor. O encontro com Inácio foi outra festa no meio da loja, e já combinamos um piquenique noturno para mais tarde, pois eles iriam jantar com uns amigos, e eu e Camis tínhamos outro plano também. Seguimos perambulando por ali, observando o movimento nas ruas, e cruzamos o rio pela Ponte De l’Alma. Descobrimos tardiamente o Musée du quai Branly, de cara eleito parada obrigatória na próxima visita, e nos encantamos com o lindo prédio vizinho, cuja fachada tem uma floresta vertical alucinante. Chegamos, enfim, à Torre Eiffel. Depois de duas horas de fila, debaixo de vento frio e chuvinha chata, subimos até o topo do emblemático cartão postal e constatamos: Paris é estonteante vista do alto, com suas luzes amarelas, suas praças monumentais, o Sena refletindo a lua cheia. Neste passeio conhecemos Isabel e Carolina, mãe e filha nicaraguenses que foram as companhias mais adoráveis que jamais podíamos esperar. Enfrentamos outra hora de fila para descer – mesmo tarde da noite numa terça-feira úmida e gelada, muita gente vai lá, talvez buscando sentir-se um pouco parte dessa cidade -, e na saída nos esperavam Lôra e Inácio, com queijos, frios, torradas e vinhos para uma noitada mágica cheia de alegria e cumplicidade.

O casal mais lindo e querido, comemorando seus 10 anos de amor

O casal mais lindo e querido, comemorando seus 10 anos de amor

Ficamos ali, no pé da torre, sentados num banco, comendo, bebendo, fazendo graça, na companhia de Remy (lembra de Ratatouille, o filme da Disney? então) e seus amiguinhos gabi-roux, até alta madrugada…
C’est fini! As férias mais espetaculares da minha vida acabaram deliciosamente. Visitei 14 cidades em 6 países, falei alemão, inglês, francês e até holandês, vi obras de arte fabulosas e visitei templos seculares. Comi croquete na rua e degustei a alta gastronomia de restaurantes estrelados, aprendi como se faz cerveja e como lapidam diamantes raros, assisti a uma ópera numa das casas de concerto mais tradicionais do mundo e fui ao show da Dionne Warwick. Brinquei de montanha-russa e me deslumbrei com a imensidão azul do mar. Conheci muita gente, estreitei alguns laços, afrouxei outros, e, principalmente, ampliei meus horizontes. Claro que faltou muita coisa: os lugares não se esgotam, e nenhuma viagem pode ser definitiva, até para que haja motivo para voltar. Mas retorno pra casa renovado, perturbado, cheio de ideias e desejos. Era isso o que eu queria quando iniciei essa jornada, e a missão (comprida) está cumprida. Foi bom demais.
(texto de 05/06/2012)

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