Vem ni mim, 2013

Nos últimos dias de dezembro vi muita gente pedindo que o ano acabasse logo, dizendo que 2012 foi difícil, ruim, apocalíptico, coisa e tal. Resolvi fazer uma retrospectiva de memória – e a minha é um horror, mas é a única que tenho – e percebi que meu ano foi mais ou menos assim:

Começou na companhia de gente muito especial: amor, irmãos e amigos queridíssimos com quem brindei a chegada do ano no aconchego do lar, que é meu porto seguro, meu santuário. Não podia ter largada melhor.

Fiz muito amor, muito sexo bom, algum sexo nem tão bom (que serviu para calibrar a régua, afinal). Conheci uma princesa que me encantou e me fez lembrar de outros tempos. Vi uma história feliz chegar ao fim e tive que fazer um amor se transformar. Estive solteiro e voltei a brincar feito adolescente – mas agora já com a segurança e o traquejo dos trinta e tantos. Me apaixonei uma, duas, três, muitas vezes, em casa, na rua, na praia, no Louvre, na fila de embarque, na fila da farmácia, em toda parte. Sofri um pouquinho por quem não merecia, mas lembrei que gosto mais de mim, levantei a cabeça e segui.

Passei por 27 e por 39 anos. Me comportei como se tivesse 12, pensei com maturidade, senti atemporalmente. Vi rugas novas aparecerem, mas as linhas de expressão mais marcantes são os pés de galinha nos cantos dos olhos – e me alegra saber que eles vêm dos muitos sorrisos que tomaram minha cara e das muitas gargalhadas que me inundaram o espírito.

Viajei um bocado. Fui passar calor em casa, visitei uns desterrados, conheci lugares incríveis acompanhado de umas boas almas gêmeas. Voltei ao Rio depois de tantos anos para constatar que, sim, ele continua lindo. Brinquei de rico na Côte d’Azur, fiz pic-nic debaixo da Torre Eiffel, me perdi nos canais de Amsterdã, me encontrei nas alturas de Berlim, tomei banho de chuva em Machu Picchu, quase morri de queda – ou do coração – em Pisac. Comi tudo, bebi tudo, engordei, emagreci… desfrutei, enfim, como bom hedonista que sou.

Tive a imensa honra de acompanhar o nascimento da Belinha em Fortaleza e do Pedrisco em São Paulo. Meus mais novos e fofos sobrinhos, a quem amo tanto quanto a seus pais, meus irmãos de coração. Prestigiei aniversários divertidíssimos e bodas inesquecíveis – com passistas brasileiras e irish dancers, com porres homéricos e vexames oníricos. Conheci gente do mundo todo e reconheci pares de outras eras. Mudei de país para aprender um novo idioma e para apostar num romance. Celebrei encontros e despedidas, com a certeza de que eles fazem parte dessa grande novela que é a vida.

Trabalhei muito também. Virei noite, aprendi coisas novas, me reciclei. Ensinei bastante, formei profissionais, deixei um legado. E tomei a importante decisão de abrir mão do meu bom emprego para buscar outras verdades. Não consigo descrever a liberdade que senti quando finalmente me dei conta de que estava apenas repetindo uma rotina sem sentido, contando as horas de segunda a sexta-feira para que chegasse o final de semana, contando os meses faltantes para as férias. Me lancei no escuro, mergulhei num imenso mar azul de incertezas, mas estou tranquilo porque sei que posso fazer o que quiser. E, claro, estou preparado para colher os bônus e pagar os ônus que vierem com as minhas escolhas.

O balanço de 2012 é esse. Foi um ano maravilhoso, sim! Morreram a Hebe, Dona Canô, Chico Anysio, Joelmir Beting, Hobsbawn, Millôr, Wando, Whitney, até o incansável Niemeyer. E muitos outros menos famosos que também farão falta. Mas o mundo não acabou. Chegamos a 2013 com fé reciclada e esperança de um novo tempo, outra coragem, mais conquistas. No meu ponto de vista, o ano que passou e este que inicia, como metonímias da vida em si, são não apenas o que fizemos ou faremos deles, mas, principalmente, o olhar que lhes resolvermos lançar. Tive meus maus momentos, claro. Minhas dores, minhas dúvidas, meus descompassos. E eles existirão sempre, até para que eu possa dar mais valor ao que acontecer de bom. Mas escolho guardar no meu HD (que tem o espaço de um disquete, mais ou menos) as melhores lembranças, os motivos que me fizeram ganhar aqueles pés de galinha nos cantos dos olhos, para acreditar que o tempo está passando e eu estou APROVEITANDO MUITO!

E é isso que desejo a você, que gastou seu precioso tempo lendo minha divagação até aqui. Viva muito em 2013, curta cada minuto, passe bem com os teus. Goze, brinque, coma, durma, corra, sonhe, viaje, faça planos. Bote em prática as promessas de ano novo, mas não se culpe por abrir mão de algumas delas. Lembre-se dos sorrisos que brotarem no teu rosto e nos rostos de quem você ama, e por eles sorria mais. O mundo sorri de volta, tenha certeza.

Feliz 2013! Logo, logo, estamos juntos por aí!

(texto de 02/01/2013)

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