Cadimia, dia 5: pernas.

Hoje foi dia de trabalhar gastrocnêmios, gastrocsímios, soleares, luneares, estreleares, adutores, quadríceps, quadrúpedes, sartórios, sanatórios, glúteos máximos, mínimos e mais ou menos, ou seja, tudo o que tinha e o que não tinha pra baixo da pelve.

Não sei quando volto a caminhar direito, mas acho que tá dando resultado. No final eu olhava no espelho e já me via assim:

legs3

Anúncios

See I gotta work it out

Resisti o quanto pude: enrolei, pesquisei, desconversei, fiz uma aula de teste, desisti, sumi, reconsiderei, topei e hoje tive meu debut na academia, com personal trainer e tudo. A idade exige. As juntas doem, a bunda tá aguada, não tenho músculos e quase infarto se corro 100 metros: tava na hora de cuidar do corpo. Assim, deixei de lado toda minha resistência e desafeto pela coisa, me inscrevi e fui.

Pus o despertador pras 6h, mas deixei o celular no silencioso (o subconsciente lutando?) e acordei por sorte (sorte?) às 6:48h, ou seja, tive 12 minutos para: fazer o xixi e a toalete básica, limpar cocô da Luna, tomar água, comer meia maçã, botar shortinho curtinho, camiseta de tecido “respirável” e tênis combinandinho e checar à cadimia para encontrar o instrutor, que me esperava cheio daquela energia típica de quem levanta às 5 da manhã, corre 10km e desjejua um delicioso shake de whey com sua albumínica omelete de 8 claras de ovos.

Cheguei já suado, os olhos remelentos, apreensivo mas certo de que, sendo o primeiro dia, a parada seria mais light. Não podia estar mais enganado: o tal do personal, com seu sorriso escancarado, é um sádico treinado nas trincheiras do Ceilão. Começou com exercício pros ombros, agachado, levantando dois halteres de 10 kg, três séries de doze repetições, intercalando com prancha “pra fortalecer os glúteos e o abdome” e uma coisa que não sei nem explicar, de tão horrorosa: eu ficava pendurado numas alças, apoiando os pés no chão, inclinado a 45o e tendo que levantar o corpo com a força (que força?) dos braços. E essa foi só a PRIMEIRA sequencia.

Depois, alternei rosca martelo, extensão de tríceps e abdominais. Eu lá, na maior dificuldade do mundo pra levantar uns pesinhos menores que a minha nécessaire de viagem, enquanto umas mocinhas magrelas e maquiadas conversavam alegres e satisfeitas enquanto puxavam 40, 50 kg. Um dia, quem sabe, pensei.

Logo me baixou a pressão: comecei a suar frio, a respiração agitada, os olhos meio turvos. “Não comeu nada antes de vir?”, perguntou meu algoz, ao que mentalmente respondi: “Meia maçã lá é comida, seu carrasco peidão???”, tratando de me manter desperto e não passar mais vergonha. Parei uns dois minutos até o sangue voltar pra cabeça e segui no martírio: mais ombro, mais bíceps, mais tortura. Ao final, o instrutor levou minha carcaça até um prato vibratório, com a promessa de soltar os músculos “pra relaxar”. De fato, no começo era o céu: o troço tremia tudo, e eu só tinha que ficar parado sem fazer nada, uma beleza de massagem. Mas aí ele aumentou a frequência e disse para soltar as mãos e me equilibrar, e de repente era um terremoto de uns 7 graus me chacoalhando até os miolos, um horror. Saí moído, aterrorizado, com a certeza de que amanhã não levanto nem as pálpebras. Mas não tenho escapatória: às 7 da madrugada Chris, o impiedoso, já estará pronto para me deixar com o físico do Joe Manganiello. Se sobreviver, eu chego lá.