Coma, Lemu, coma!

Dias e dias tomando receitas mirabolantes de sucos com tudo quanto é vegetal e fruta, tentando me convencer de que um copo de extrato de aipo com beterraba e melão é uma refeição gourmet que não apenas supre minhas necessidades nutricionais e psicoafetivas como também embeleza a figura, enobrece a alma e me salva do purgatório.

Daí ontem eu cansei dessa frescura e resolvi ser feliz: fui ao supermercado, comprei nachos, tacos, carne moída, abacate, feijão preto, queijo muçarela e pimenta, muita pimenta. Preparei O almoço mexicano, comi até quase espocar, tomei toda a cerveja que quis e arrematei com um potão de sorvete de chocolate. Pra compensar, fui pra ioga mesmo com o bucho estufado, e hoje às sete da madrugada tava na cadimia pra sessão regular de tortura.

Até agora a barriga dói da comilança, mas o sorriso dá três voltas na cara. Porque acho super bonita essa coisa de alimentação natural, orgânicos in, transgênicos out, fat free, low carb, no taste, pão sem glúten, leite deslactosado, café descafeinado, água desmineralizada etc. etc. Mas eu gosto mesmo é de COMER, disculpaê.

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Detox

Aqui em casa começamos uma tal dieta detox, meio inventada da nossa cabeça, à base de extratos de vegetais, folhas e frutas. A ideia era ficar uma semana tomando só isso nas três refeições, mas eu sou fraco, confesso, já furei duas vezes. O Jorge, impávido colosso, segue na peleja.

Vamos mesclando o que tem em casa, e daí saem receitas bem interessantes, pra dizer o mínimo. Até agora, nenhuma intragável e várias BEM gostosas. O segredo tem sido aprender a melhor forma de extração (centrifugar, espremer, liquidificar etc.) de cada ingrediente, as proporções e, claro, como se combinam os sabores.

Ontem à noite, por exemplo, misturei caihua, pepino, manga e limão. Hoje de manhã, aipo, abacaxi, maçã e gengibre. Pro almoço vai ter um batido de cenoura, laranja e espinafre. Não temos acompanhamento profissional nem ando comparando o aporte nutricional, a biodisponibilidade ou as propriedades mágicas dos sucos. Preferimos orgânicos, higienizamos adequadamente e tomamos o suficiente para saciar a fome imediata. Nas primeiras 48 horas rolaram uma moleza e uma dorzinha de cabeça, e o mau humor era evidente; hoje, depois de cinco dias, a sensação de saciedade é mais fácil, o ânimo e a vitalidade aumentaram, o peso baixou, estamos contentes.

Claro que bate vontade de variar o cardápio, e nesse final de semana vamos introduzir alimentos sólidos, controlando gordura, lácteos e carboidratos processados. Mas é um processo de reeducação alimentar, daqueles que a gente merece (e precisa) começar em algum momento da vida. Agora só preciso descobrir como vou equilibrar o chocolate, o bacon e o vinho nesse novo modus vivendi…

Como eu, como tu, como tudo

Sempre me impressionou como os peruanos usam muitos ingredientes na sua preciosa gastronomia: quem já viu a elaboração de uma boa leche de tigre sabe do que eu estou falando. Outro dia provei um molhinho (“aderezo”, olha que lindo) que a empregada da Giuliana fez para acompanhar um arroz con pollo, coisa mais besta, parecia, e pedi para ela me ensinar. Qual não foi minha surpresa quando ela elencou tudo o que tinha despelado, picado, curtido, temperado etc. naquela aparentemente simples e prática sarza criolla…
Daí que hoje eu me dei conta que tampouco sou econômico ou objetivo quando vou pra cozinha. O almoço de hoje,por exemplo, vai ser uma riquíssima salada, que todo mundo na casa está de dieta (menos Luna, a esgalamida). A base, claro, é alface, porque aqui não tem tanta opção de folha. Daí, pra incrementar e proporcionar algum prazer gourmet, fui acrescentando: cebola roxa, ají amarillo (um tipo de pimenta), tomate, cenoura ralada, milho, amêndoas torradas, passas, semente de girassol, atum, alcaparras, azeite de oliva, pimenta do reino, sal rosado de Maras e suco de limão. E uns croutons de pão pita praquele croc.
Não deve ter ficado delicioso como os pratos típicos daqui (preparei um olluquito outro dia que ficou SUPIMPA, e a meta agora é criar coragem para fazer carapulcra), mas eu vou tentando, e um dia aprendo.
Gastón Acúrio que se cuide.