Paris, dia 9: Le Grand Finale!

Paris amanheceu nublada, triste com a despedida que se aproximava. Eu e Camilinha não tínhamos mais pressa, não queríamos bater ponto em novos pontos turísticos: a ideia era só curtir a cidade, voltar a alguns lugares de que gostamos, consolidar o que queremos guardar na lembrança. Andamos pela rue de Rivoli até o Marais, passando pelo Hotel de Ville, pelas banquinhas de ambulantes na calçada da BHV, pela Pain de Sucré. Peguei os óculos novos, que ficaram um espetáculo, e me permiti um galanteio maroto…

Camila et moi, les français

Camila et moi, les français

Chegamos ao Benoît, reservado na noite anterior, para um menu frugal: gougéres quentinhos e coelho desfiado para abrir o apetite, uma tarte de sardinha com salada de entrada, bavette acompanhada de uma massa seca no molho reduzido da própria carne e, de sobremesa, um savarin ao armagnac. O restaurante é lindo, a comida estava especial, a sommelier, uma fofa… Foi ótimo, afinal – a dica da Marida valeu demais!

Almoço frugal no Benoît

Almoço frugal no Benoît

Entupidos igual à Miss Piauí, voltamos a uma ótica pra Camis comprar seus óculos de sol de bacana. Passamos de novo pelo Beauborg, fizemos um pit stop no hotel e rumamos à Champs-Élysées, pois ela ainda queria procurar uns negocinhos na Sephora. E lá estava eu, fazendo hora no meio da loja enquanto ela se fartava, quando de repente uma mão de alvura ímpar, branca como a igualdade, delicadamente me cobriu os olhos para que eu lhe tentasse adivinhar. Que surpresa mais deliciosa quando me virei e vi ali, alta, linda e loira, minha própria Dra. Raquel, que desfrutava o derradeiro dia de uma temporada em comemoração aos seus 10 anos de amor. O encontro com Inácio foi outra festa no meio da loja, e já combinamos um piquenique noturno para mais tarde, pois eles iriam jantar com uns amigos, e eu e Camis tínhamos outro plano também. Seguimos perambulando por ali, observando o movimento nas ruas, e cruzamos o rio pela Ponte De l’Alma. Descobrimos tardiamente o Musée du quai Branly, de cara eleito parada obrigatória na próxima visita, e nos encantamos com o lindo prédio vizinho, cuja fachada tem uma floresta vertical alucinante. Chegamos, enfim, à Torre Eiffel. Depois de duas horas de fila, debaixo de vento frio e chuvinha chata, subimos até o topo do emblemático cartão postal e constatamos: Paris é estonteante vista do alto, com suas luzes amarelas, suas praças monumentais, o Sena refletindo a lua cheia. Neste passeio conhecemos Isabel e Carolina, mãe e filha nicaraguenses que foram as companhias mais adoráveis que jamais podíamos esperar. Enfrentamos outra hora de fila para descer – mesmo tarde da noite numa terça-feira úmida e gelada, muita gente vai lá, talvez buscando sentir-se um pouco parte dessa cidade -, e na saída nos esperavam Lôra e Inácio, com queijos, frios, torradas e vinhos para uma noitada mágica cheia de alegria e cumplicidade.

O casal mais lindo e querido, comemorando seus 10 anos de amor

O casal mais lindo e querido, comemorando seus 10 anos de amor

Ficamos ali, no pé da torre, sentados num banco, comendo, bebendo, fazendo graça, na companhia de Remy (lembra de Ratatouille, o filme da Disney? então) e seus amiguinhos gabi-roux, até alta madrugada…
C’est fini! As férias mais espetaculares da minha vida acabaram deliciosamente. Visitei 14 cidades em 6 países, falei alemão, inglês, francês e até holandês, vi obras de arte fabulosas e visitei templos seculares. Comi croquete na rua e degustei a alta gastronomia de restaurantes estrelados, aprendi como se faz cerveja e como lapidam diamantes raros, assisti a uma ópera numa das casas de concerto mais tradicionais do mundo e fui ao show da Dionne Warwick. Brinquei de montanha-russa e me deslumbrei com a imensidão azul do mar. Conheci muita gente, estreitei alguns laços, afrouxei outros, e, principalmente, ampliei meus horizontes. Claro que faltou muita coisa: os lugares não se esgotam, e nenhuma viagem pode ser definitiva, até para que haja motivo para voltar. Mas retorno pra casa renovado, perturbado, cheio de ideias e desejos. Era isso o que eu queria quando iniciei essa jornada, e a missão (comprida) está cumprida. Foi bom demais.
(texto de 05/06/2012)

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Paris, dia 8: Turista é o car…, meu nome é PARISIÉN!

Depois de dias perambulando meio mulambentos, decidimos nos montar para encontrar meu amigo Rogério, que pontualmente às 10 nos esperava no saguão do hotel. Ele nos levou ao Marché aux Puces de St-Ouen, o mais antigo e famoso mercado de pulgas de Paris, no Porte de Clignancourt, última estação da linha 4 do metrô. Muitas lojas ainda não estavam abertas, pois na segunda os comerciantes esticam a soneca, mas deu pra gente babar nos móveis palacianos, nos jogos de cristais rebuscados, nos quadros e esculturas seculares… Quando a alergia atacou o Roger, e o passeio já tinha valido, fomos almoçar no Lémoni, primeiro restaurante onde ele trabalhou aqui, um café bio com receitas vegetarianas muito bem preparadas e um tempero delicioso da Corsa. Circulamos pelas lojinhas quase abandonadas mas ainda chiquérrimas do Palácio Real (a boutique de perfumes Serge Lutens é das mais charmosas que já vi), seguimos pelo comércio grifado na rue Saint-Honoré – inclusive passando vontade na Colette, onde uma camisa que se comunicou comigo custava básicos mil orrôs e me obrigou a comprar uns chocolates pra compensar -, batemos perna em Les Halles em busca do framboisier perdido, paramos pra uma cerveja, seguimos ao Marais. Como a temperatura caiu vertiginosamente ontem, rolou um pit stop pra Camilinha comprar uma jaqueta bem linda e se cobrir mais, que o ventinho gelado tava realmente de lascar. Passamos pela igreja St-Merri, onde vimos uma instalação bem alegrinha, com mil enfeites de papel colorido pendurados no teto da nave central, e ainda vimos um ensaio do que parecia ser um concerto meio modernoso, com artistas cheios de estilo fazendo bico e cara de entojo. Já na happy hour, sentamos no Raidd para mais uns drinks e ficamos lá conversando besteira e vendo o trânsito da gente bonita de Paris. Com fome, rodamos um pouquinho e paramos no L’Alivi, um bistrô morto de gracioso com um belo (ops) atendimento e comida fantástica: meu boeuf au poivre veio macio, saborosíssimo e com umas batatinhas que ai, ai.

Boeuf au poivre no L'Alivi

Boeuf au poivre no L’Alivi

Nos despedimos dos meninos (Jean nos encontrou pro jantar) e voltamos ao hotel. Levei quase duas horas para arrumar as malas, e agora está tudo pronto pro nosso último dia – oh, dor! – por aqui.

(texto de 04/06/2012)

Paris, dia 7: Cadê a Bastilha?

Quem é que acorda cedo nessa terra? A gente é que não é, porque o cansaço nos derruba com força e é preciso repor as energias se quisermos continuar aproveitando. Com isso, levantamos num pulo e nos arrumamos depressa para ainda pegarmos a rebarba do Marché Bastille, a maior feira de rua de Paris. E que feira incrível, viu? Frutas e legumes que pareciam de plástico de tão perfeitos, ervas e temperos de todo tipo, sabonetes de Marseille, queijos mil, charcuterie e televisão de cachorro, vinhos a rodo… Ai, ai, ai! Comemos galette (não confundir com crepe, sob risco de levar uma ovada de um francês mais ortodoxo enfurecido) e tomamos sidra, tudo muito autêntico e delicioso, e não resisti ao Crémant d’Alsace quase de graça que um vendedor marroquino que falava português me mostrou. Procuramos a Bastilha até descobrir que ela não existe há coisa de 250 anos (é, eu gazeava as aulas de História), mas tiramos umas fotos da torre e da Ópera. Saímos de lá e cruzamos o 11e Arrondissement, passando por um típico mercado de pulgas na rue Saint-Bernard, até chegarmos ao gigante Père Lachaise, mais visitado cemitério da Europa, onde repousam os restos mortais de vários franceses ilustres. Vistamos os túmulos de Allan Kardec, Edith Piaf, Oscar Wilde, Rossini, Modigliani, Moliére, La Fontaine, Jim Morrison e dos amantes Abelardo e Heloise. Há quem veja morbidez num programa desses, mas eu, que já coordenei o marketing de uma rede de cemitérios, me divirto!

Edith Piaf (1915-1963)

Edith Piaf (1915-1963)

Jim Morrison (1943-1971)

Jim Morrison (1943-1971)

Pegamos um trem para o Marais e, aproveitando que meu cartão ainda tava bem black, comprei uns óculos faaaashion que queria, me dei um eclair de chocolate da Pain de Sucré pra comemorar e arrastei Camilinha pro Le Tango, crente que íamos arrasar no ballroom, mas tava rolando mesmo era uma Shakira loca-loca-loca e all the single ladies moving like Jagger na pista!

Óculos novos!

Óculos novos!

Kamilinha e seu paquera no Le Tango

Kamilinha e seu paquera no Le Tango

Depois de umas cervejas a gente achou tudo muito divertido, até as exóticas apresentações (?) de dança (???) que mais pareciam aquelas marmotas a que obrigavam a gente na escola, quando ainda não tínhamos senso crítico nem força física para nos defendermos. Saímos famintos e paramos no Derriére, um restaurante morto de descolado que avistamos por acaso da rua, cheio de gente bonita, com uma mesa de ping-pong no meio do salão e servindo umas vieiras fabulosas! Saciados, felizes e imprestáveis, voltamos ao hotel e nos jogamos na cama, que amanhã cedo o Rogério vem nos buscar pra passear!

(texto de 03/06/2012)

Paris, dia 6: Gramu eu tenho, só me falta é o dinheiro!

Sabadão de sol: depois de muita perna batida, a gente queria um dia pra flanar e curtir. Nos arrumamos um pouquinho melhor para dar folga aos pisantes turísticos e recuperarmos um pouco da dignidade perdida em meio a tanta luta, porque afinal nós somos uns turistas bem guerreiros. Nosso destino foi o Marais, com suas ruas cheias de lojinhas fashion, gente descolada, bares e restaurantes animados. Almoçamos no Le Potager du Marais, um vegetariano charmoso com umas receitas deliciosas, onde fomos recepcionados por Jesus, o dono magrelo que fez um festa quando viu que eu tinha achado uma joaninha na mochila de Camis: “La coccinelle, la coccinele! You are very lucky!”, dizia ele batendo palma, numa alegria que só quem não come carne exibe. Seguimos pela rue Rambuteau e chegamos à Pain de Sucré para a sobremesa, e aquilo é um dos lugares que eu quero visitar sempre que estiver em Paris, porque haja tentação! Um doce mais lindo que o outro, e a tortinha de limão e o bolinho de framboesa em forma de coração que eu comi estavam sensacionais!
Aí passamos numa loja da Muji, Camilinha quase surtou, depois passamos na Fragonard e ela surtou de vez, e eu comecei a sentir uma coisa, um fenômeno sobrenatural, uma comichão louca no bolso… Escolhi uma eau de toilette para o dia-a-dia, só uma bobagenzinha, mas o kraken foi libertado de suas amarras: depois de mais algumas lojinhas cheias de must-haves, avistei a L’Artisan Parfumeur, que tinha uma vendedora morta de simpática, que adorava o Brasil e me mostrou um perfume maravilhoso, diferente, exclusivo, whiskas sachet, que fez meu cartão de crédito enegrecer em segundos, e de repente lá estava eu com uma sacolinha toda estilosa na mão e rico, rico, rico na minha cabeça. Aí vieram as camisas, a mala nova, os doces na Maison Georges Larnicol (voltei atrás de mais koignettes)… Ah, no meio dessa farra teve uma pausa na Place des Voges para mais um pique-nique ao sol e o Chico Buarque esnobando os gritos apaixonados da Camilinha, e no fim da tarde paramos para uns bons drinks num barzinho na rue Vieille du Temple, que bombava àquela hora. Como a noite custa a cair, a gente perde a noção do tempo, e mal percebemos que nossos estômagos já clamavam por janta. Pesquisamos nosso inseparável Lonely Planet (um guia muito completo, super recomendo) e escolhemos o Khatag, um restaurante tibetano na Quincampoix, pertinho do Georges Pompidou. Como não sabíamos direito o que havíamos pedido, trocamos as entradas, temperamos tudo ao nosso jeito e até agora não sei se o meu acompanhamento era pra comer ou pra passar na testa, mas foi tudo joia, principalmente pelo atendimento muito gentil e pelo preço justíssimo (15 orrôs por bebida, entrada e prato).

Thèn Thoug, especialidade tibetana do Khatag

Thèn Thoug, especialidade tibetana do Khatag

Voltamos ao hotel, ainda pensando em sair pra balada, mas, depois de meia hora estirados nas camas com os pés pra cima, nos demos conta de que não tínhamos condição – Camis, na verdade, até que ainda tava pilhada, mas eu mesmo pifei. Antes de capotar, checamos no mapa e nos assustamos com o quanto já cobrimos de Paris! E assim acabou mais um dia na apaixonante cidade-luz.

(texto de 02/06/2012)

Paris, dia 5: Arrocha, Duracell!

O plano inicial para sexta era irmos ao Palácio de Versailles, mas a viagem pareceu muita função para dois aventureiros já meio gastos de tanta andança, então mudamos o foco e resolvemos explorar o lado sul da cidade. Atravessamos a Île de la Cité, compramos uns sanduíches e umas Oranginas e fomos comer junto dos alunos da Sorbonne, nos jardins do Palais du Luxembourg, que são menos muvucados e mais agradáveis que les Tuileries. Aí começou nossa peregrinação: visitamos uma feirinha de antiguidades e a igreja de Saint-Sulpice, em busca do Gnomon Astronomique, e lá batemos um papo descontraído com o Dan Brown e trocamos umas ideias para o próximo livro, e tal (ok, não devia ser ele, mas a gente agiu como se fosse). Seguimos para Saint-Germain-des-Prés, a mais antiga igreja ainda “viva” de Paris, onde pudemos assistir ao ensaio de um coro escolar de música sacra, uma joia de formação fazendo valer aquela acústica toda. Já que estávamos super trabalhados na religiosidade, fomos pecar um pouquinho na loja da Hermés na rue de Sèvres: um misto de cobiça e luxúria nos invadiu naquele templo de riqueza e finesse, e glamour a gente tem de sobra, pena que faltava a bala na agulha – ou o crédito na praça. Demos uma pinta no Le Bon Marché, endoidamos no jardim das delícias AKA La Grand Epicérie de Paris (comprei mais mostarda, mais chocolate, umas batatas fritas tipo Ruffles chique e iogurte de ruibarbo, meu novo xodó) e fomos rezar mais um pouco na Capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, que é linda, linda, e uma freira carioca abençoou nossas medalhinhas.

Iogurte de ruibarbo, o melhor do mundo!

Andamos até Les Invalides pra ver sua famosa cúpula dourada, passamos em um mercado, compramos queijos e um Bordeaux mimoso por OITO EUROS (acho que nunca mais vou ter coragem de pagar as fábulas cobradas no Brasil), passamos numa boulangerie para pegar uma baguete recém saída do forno, bem quentinha, e cruzamos o Champ de Mars para mais um pique-nique quase despretensioso, ao pé da Tour Eiffel. O dia estava lindo, com um céu azul e muita gente espalhada no gramado. Vimos o sol se pondo, segurando a emoção, e fugimos da fila medonha para subir a torre – outro dia voltaremos.

Pic-nic sous la Tour!

Les Invalides

Já no hotel, tomamos banho para recuperar as forças e renovar o desodorante, porque afinal nóis num ganha em orrô mas é limpinho, e saímos de novo em busca de um bar cheio de gente fina, elegante e sincera para nos misturarmos, mas não achamos nada assim pela região e terminamos num pub bem jovem e meio underground que tocava até funk tupiniquim. Deixei Camis no hotel e parti para o Raidd, um bar lotaaaaaado no Marais, onde encontrei um grupo de brasileiros alucinados e fervidos que me arrastou para uma balada numa cripta ou algo que o valha chamada Le Cud. O som tava ótimo, o povo tava péssimo e eu tava só a farofa passada, sem condição de manter os dois olhos abertos ao mesmo tempo. Sou tiozão, dou conta mais desse agito todo não. Cinco da madruga era mais que hora de eu capotar.
Noite parisiense: check. Ai, que saudade do meu Grand Bal Masqué!

(texto de 01/06/2012)

Paris, dia 4: Amigos, amo vocês!

Dia de seguir as dicas e recomendações recebidas – e deu tudo super certo! Com a sugestão da Renatinha Farias, fomos comer croissant e pain au chocolat no Angelina, um café tradicional e bacanésimo que fica num prédio antigo ao lado do Louvre e serve um chocolate quente tido como o melhor da cidade – e, de fato, só pode ser, porque a gente gemia a cada gole! Interagimos com um casal de tiozinhos americanos ótimos que visitavam Paris pela terceira vez, comemorando bodas de sei lá o quê, e que deram mais umas dicas pra gente.

Café da manhã no Angelina

Croissant, choco chaud e pain au chocolat no Angelina

Cruzamos o Jardim des Tuileries rumo ao L’Orangerie, museu remodelado a pedido do próprio Monet para guardar 8 fabulosos paineis com suas Ninfeias. O espaço é branco, clean, transcendente em sua proposta de fazer o cidadão desligar do estresse cotidiano e se permitir contemplar, introspectar, relaxar. Eu já me dava por satisfeito com a experiência nos dois salões ovais no térreo, quando resolvi descer ao subsolo só para bater o cartão de turista e dizer que vi… Que surpresa! Uma coleção fantástica fica ali embaixo, com mais de 30 quadros do Renoir, outros tantos Rousseau, Matisse, Utrillo, Vlaminck, Picasso e uma meia dúzia de Modigliani, que eu adoro! De lá, tomamos o metrô até a Place de Clichy para tirar foto no Moulin Rouge, brincar de Amélie Poulain no Café des 2 Moulins (Camilinha queria porque queria trazer o balcão ou o ventilador de teto do lugar como souvenir), comer a melhor torta de ruibarbo na Les Petits Mitrons, passar pelo prédio onde morou Van Gogh, ver os dois moinhos restantes no bairro e o Clos Montmartre, o derradeiro vinhedo de Paris, evitar as ruazinhas cheias de “artistas” e ambulantes do Butte – o puro Embu das Artes, achei – e finalmente chegar à majestosa Sacre Coeur, com seus mosaicos deslumbrantes e o cenário inesquecível da cidade vista do alto.

Sacre Coeur

Basílica de Sacré Coeur

Depois de subir ao topo da torre e escapar dos caras chatos que ficam tentando amarrar pulseira no braço da gente e das meninas que tentam te fazer assinar um abaixo-assinado qualquer pra depois vender seu e-mail para mala-direta, sentamos no gramado para dar uma pausa antes de explorarmos o comércio da região até o Pigalle, incluindo a Maison Georges Larnicol, uma doceria/chocolateria onde fui ao céu com um tal kouignette – é um bolinho doce folheado, viu, mentes sujas? A ideia era jantarmos num restaurante recomendado pelo Joãozinho, mas como o Cu da Galinha (esse é o nome do estabelecimento, que tal?) ainda estava fechado, nos tacamos pras Galleries Lafayettes, pra constatar o tamanho da liseira: eu mesmo só comprei umas mostardas, geleias e chás no mercado – que, aliás, é um sonho para qualquer gourmand -, e Camilinha saiu com uma blusa e um cinto da Zara e ódio da vendedora que ficou mangando porque ela perguntou se aquele era o preço com desconto. Aproveitamos para passar no Palais Garnier, a ópera de Paris que fica ali do lado, e então nos dirigimos ao Cul de Poule, que é apertadinho e meio fedido como o nome sugere, mas serve uma comida deliciosa: ratatouille lindamente apresentado, um risoto vegetariano excelente pra Camis e um pargo no ponto com cucuz marroquino pra mim! Parfait!
Nesse dia nem sabemos como chegamos ao hotel, porque costas, pernas e pés inexistiam, de tanto cansaço. Mas por dentro a gente era só alegria! Isso aqui é bom demais!

(texto de 31/05/2012)

Paris, dia 3: Deus que me Louvre!

Não tinha como acordar muito cedo, precisávamos descansar. Atualizações registradas, mensagens checadas e fotos postadas, saímos caminhando pela margem do Sena até que paramos para comer num restaurante bio gostosinho, para garantir as energias pra empreitada do dia: Le Louvre.

Carrousel

A fila de entrada pelo Carrousel du Louvre

Compramos ingresso no Carrousel, como bem indicaram algumas fontes, e adentramos o mundo mágico daquele museu de tantas maneiras superlativo: pela abrangência histórica e estética, pelo tamanho descomunal, pelas mais de 35 mil obras expostas – que representam menos de 10% do acervo, vale dizer… Pegamos o audioguide, que vem num Nintendo 3DS facinho de operar, e foi um investimento de 5 orrôs que se pagou em minutos: muitos comentários, contextualizações, referências e declarações de gente entendida. Corremos ao 1º andar do pavilhão Denon para visitar a Mona Lisa, parada obrigatória, e confesso que rolou uma emoção – tirei até uma foto morto de cafuçu com a moça ao fundo… Já espiamos também As bodas de Canaã, que tava ali, e depois cada um seguiu seu rumo para explorar o que mais lhe interessasse. Eu vi basicamente as pinturas italianas, as esculturas, um pouco de arte mesopotâmica, mais pintura europeia e pronto. Não que tenha sido pouco, ainda mais com obras do quilate de La Gioconda, da Vênus de Milo ou do Código de Hamurábi, mais um bocado de Ticiano, Veronese, Arcimboldo, Caravaggio, Da Vinci, Rembrandt, El Greco, Rubens (a Galeria dos Médicis é fantástica), Delacroix, Michelangelo, Canova e por aí vai… Só que era impossível apreciar tudo aquilo nas míseras seis horas que ficamos lá. Saí atordoado, com os olhos brilhando e o cérebro pifando de tanta informação.

La Gioconda

Mona Lisa

Vênus de Milo

Vênus de Milo

Sacamos nossos vários guias e escolhemos mum restaurante mais ou menos próximo, o L’arbre à Cannelle, um bistrozinho charmosíssimo na Passage des Panoramas, um daqueles cantinhos adoráveis, escondidos, com jeito de especiais, sabe? Jantamos muito bem, com vinho da casa e crumble de frutas vermelhas na sobremesa, e voltamos pro hotel andando pela Boulevard Montmartre pra apreciar o burburinho.

Côte de veau sauce poivre avec puree Maison  no L'Arbre à Canelle

Côte de veau sauce poivre avec puree Maison no L’Arbre à Canelle

Agora, cama, que amanhã tem Sacre Coeur e Montmartre.

(texto de 30/05/2012)

Paris, dia 2: Vrááááá!

Nada como um croissant beurre com café pra começar o dia bem parisiense. Seguimos pela rue de Rivoli, escolhemos óculos numa loja por ali (ainda não comprei porque estava sem a receita, mas acho que hoje eu me empolgo), quase enfartamos ao dar de cara com a bunda do Louvre. Ali, na esquina, aquele gigante deitado, ameaçador e belo. Recuperados do choque, visitamos antes a igreja St-Germain l’Auxerrois, gótica e deslumbrante como tantas outras, e daí adentramos o Cour Carée, páteo circundado por quatro dos grandes prédios do museu, de onde avistamos a Place de l’Institut, do outro lado do Sena. Ainda acachapados, cruzamos mais uma passagem e demos de cara com a grande pirâmide de vidro e suas filhinhas, onde tiramos várias fotos de turista babão – que somos, assumidamente, hehe!

Louvre 1

As pirâmides vistas do Carrousel du Louvre

Escapamos rapidinho para ver o Palais Royal do lado direito, voltamos por dentro do Carrousel du Louvre, um shoppingzinho já guardado na memória porque foi onde comemos os primeiros macarons da viagem (pistache, framboesa, caramelo com flor de sal, flor de laranjeira) na Ladurée e uma delicada barrinha na Maison du Chocolat.

Macarons da Ladurée

Macarons da Ladurée

Percorremos o Jardin des Tuilleries, cheio de franceses e turistas curtindo o dia ensolarado sentados em volta das fontes, e atravessamos até a margem esquerda do Sena para visitar o d’Orsay, que fica numa antiga estação de trem e guarda uma coleção vastíssima de obras impressionistas, simbolistas, de art nouveau e dos meus adorados pontilhistas (Seurat, Signac, Pissarro, Luce…). Ficamos umas três horas e meia lá dentro, até sermos expulsos, e ainda não deu pra ver tudo – como nunca dá em qualquer museu decente.

Museu D'Orsay

Museu D’Orsay

Voltamos às Tuilleries, babamos na Place de La Concorde, saímos trupicando pela Champs-Élysées, com os corações nervosos a palpitar. Compramos queijo azul, jamón, pão, iogurte e um vinho delícia por QUATRO EUROS no Monoprix e paramos na primeira praça para estender a canga e fazer nosso piquenique bem no meio da avenida mais famosa de Paris. Saciados, entramos na boutique exclusiva da Guerlain – resisti a comprar um vidrão de Heritage, perfume que usei há anos, adorava e não encontro mais no Brasil -, depois na maior Sephora que já vi na vida. Terminamos o percurso chegando no Arco do Triunfo, motivo da quarta ou quinta parada cardíaca do dia. Ingressos comprados, subimos os 284 degraus até o terraço, de onde assistimos ao sol se pôr por detrás dos arranha-céus em La Defense e às luzes da cidade acendendo com o cair da noite (às 22h, vale ressaltar, que os dias nessa época do ano são looooongos aqui). O golpe de misericórdia sobre nossos já exaustos corações foi quando a Torre Eiffel começou a piscar freneticamente, reinando absoluta no skyline parisiense, arrancando um sonoro suspiro da multidão ali reunida. Indescritível a sensação de ver a cidade se reunindo na Etóile e a Sacre Coeur iluminada à distância.

Arco do Triunfo

Arco do Triunfo

Decidimos voltar a pé, pra admirar a cidade-luz acesa. Vimos street dance em frente às vitrines das grifes mais luxuosas, vimos o amarelo banhando os monumentos, vimos modelos estonteantes fotografando um editorial na Place Vendôme. Chegamos ao hotel depois de 13 horas batendo perna, já que ninguém deixou menino chorando em casa. Esgotados, física e emocionalmente, extasiados como quem amou.
Paris, je t’aime!

(texto de 29/05/2012)

Paris, dia 1: É aqui que é aqui?

Nem cinco da madruga e já estávamos no aeroporto, eu e Camicleide. O voo foi tranquilo, pelo menos nos 5 minutos da nave taxiando antes de decolar, quando eu ainda tava acordado. Chegamos no CDG, nos perdemos um pouco, achamos o rumo do trem, descemos na estação Châtelet – Les Halles, deixamos as malas no hotel e fomos dar uma banda pelas cercanias. Caminhamos pela rue Saint Dennis, onde paramos para nossa primeira refeição francesíssima: cachorro quente frio com ice tea, sentados numa praça olhando a fonte. Andamos mais um pouco, achamos uma farmácia com umas promoções ótimas e uma assistência com uns olhos verdes mais ótimos ainda, e passamos pela torre de Saint Jacques, que fica do lado do hotel. O hotel (Victoria Chatelet), aliás, é bem simples, ainda mais depois do The Gibson, da última noite em Dublin, que era um espetáculo. Mas tá valendo: a vizinhança é agradável e o chuveiro é joia, embora o box seja miúdo. Banhos tomados, energia recuperada, cruzamos o Sena, passamos por La Conciergerie e chegamos à catedral de Notre Dame.

La Notre Dame

La Notre Dame

Sei que pra muita gente é só mais uma igreja grande e linda, mas, pra mim, foi muito emocionante. Percorremos as naves, admiramos os magníficos vitrais, os paineis e obras sacras, o lustre secular que lá é exibido como relíquia… Ainda tivemos a imensa sorte de assistir ao começo da missa, a coisa mais linda, impossível não se comover. Quase comprei um presentinho pra minha tia lá na lojinha, mas achei que 200 euros era mercantilização demais da fé, me enfezei e não dei. Arrodeamos a igreja para chegar à praça João XXIII, tiramos fotos das rosas esplendorosas no jardim, cruzamos a ponte para a Île St. Louis e achamos uma lojinha de queijos alucinante, onde compramos uma indicação do vendedor que nos levou ao delírio (o queijo indicado, não o vendedor, digo). Pegamos uma baguete e bebidas na boulangerie vizinha, tentei comprar camisas na Cotton Doux (não tinha a que eu queria no meu tamanho, então preferi visitar as outras lojas), escolhemos um cantinho à beira do Sena e lá sentamos para merendar e curtir a linda tarde de sol junto com outros turistas e muitos locais.

Eu e o Sena

Eu e o Sena

Comemos, ainda, um merveilleux de chocolate, um suspiro grande recheado e coberto que tava de fato maravilhoso. Cruzamos o rio de volta, tomamos sorvetes na Berthillon, visitamos a igreja Saint Gervais, passamos pelo Hotel de Ville, que é a sede da prefeitura, flanamos pelo Marais, voltamos pelo Beauborg (já fechado, mas voltaremos), mostrei à Camilinha a rue St. martin, já eleita das minhas preferidas, compramos um queijo, uma baguete e um vinho fantástico por NOVE EUROOOOOOS no Carrefour. De volta ao hotel, já quase 10 da noite, fizemos um jantarzinho doméstico delicioso e capotamos, vencidos pelo cansaço.
Paris, Paris. Começamos bem.

(texto de 28/05/2012)